Às vezes acontecem coisas que me dão enorme prazer.
Após escrever a matéria dos Chardonnay-Brancaleone, já bem tarde, resolvi jantar no Piccolo Ristorante do meu amigo Enrico Boitano.
Boitano estava quase fechando o restaurante, mas, com minha chegada, resolveu telefonar para Franco Bertolone que estava saindo da redação do jornal e resolvemos jantar juntos.
Jantar para três, bom papo, bons vinhos...
“Você tem um Gaia & Rey na adega?”, perguntei.
“Acho que tenho algumas garrafas no estoque” respondeu Enrico.
“Se me fizer um preço razoável vou oferecer a garrafa”
Após combinar o valor Enrico abriu um Gaia & Rey 1998 que foi bebido e comentado por nós antes do jantar.
Devo salientar que Enrico e Franco são experientes sommeliers, conhecem vinho como poucos e as opiniões emitidas batem exatamente com as minhas.
Resumo do vídeo:
O vinho foi aberto e eu encontrei imediatamente uma avalanche de (burro) manteiga.
Bertolone e Boitano encontraram muito álcool e muita madeira.
Bertolone afirma que prefere a madeira mais nos brancos que nos tintos.
Continua afirmando que o Gaia & Rey não possui a mineralidade dos franceses e encontro até uma ponta de oxidação.
Boitano prefere tomar um Coroncino.
Eu brinco com o Bertolone e, conhecendo sua fama de pão duro, não declaro o preço do vinho.
Afirmo ainda que os Pouilly-Fuissé que comprei na França custaram 10 Euros e eram melhores.
Boitano pega o gancho e lembra que um Chardonnay da Borgonha de 12 Euros bebido anteriormente era melhor que o Gaia & Rey.
Proponho uma votação, mas eles preferem afirmar que, apesar de ser um bom vinho, não o beberiam novamente mesmo que custasse 10 Euros, pois não agrada nem convence.
Final: o vinho não convenceu ninguém.
Bacco