Estava evitando criticar o Eno-E-Vento e seus incapazes, mas uma matéria que me foi enviada por Luiz, caro e atento amigo, me fez pular da cadeira.
O Oscar Daudt comenta uma degustação organizada pelo Danio Braga, eterno presidente da AB$, que custou a bagatela de R$ 292, batizada com o singelo nome: MONTRACHET ITALIANOS.
Vejam. http://www.enoeventos.com.br/201001/danio/danio.htm
Que o Daudt não entende nada de vinho é por todos sabido, que seu site é um capacho sempre servil é também notório, mas o Braga não é bobo.
Braga é um italiano, chef de cozinha, conhece vinhos, fundou a AB$, mas tem um pequeno defeito: é intelectualmente desonesto.
Na matéria Oscar, seu fiel escudeiro, afirma que o Danio e sua AB$ já patrocinaram uma degustação com 68 produtores de Montrachet.
Tarefa difícil, mas não impossível.
O que alertou meu “pega picareta” é que se o Danio conhece bem os Montrachet a ousadia de comparar os Chardonnay italianos aos franceses é, no mínimo, ridícula.
Querem ver os erros e a malandragem?
O Piemonte tenta há anos lançar no mercado um branco importante que possa competir com seus grandes tintos, pois suas castas autóctones (Arneis, Favorita, Cortese, Timorasso, Erbaluce etc.) são boazinhas, mas nada além de boazinhas e os vinhos, que são com elas produzidos, não chegarão nunca ao nível de um Barolo.
Para tentar o paraíso importaram castas como Chardonnay e Sauvignon Blanc, mas os resultados ,quando muito, atingem o purgatório.
Tentou produzir espumantes e resultados também foram apenas razoáveis.
Lançou o Timorasso e o Martinetti, o viticultor das vinhas fantasmas, acabou transformando-o numa madeireira amanteigada.
Apesar de todas as tentativas de melhorar os brancos piemonteses, o horrível Blangé, um Arneis de 3ª categoria da Ceretto , pasmem , é hoje o vinho branco símbolo do Piemonte e por aí vai...
Definitivamente o Piemonte não é , assim como quase toda a Itália , um produtor de grandes vinhos brancos.
Porque este discurso?
Porque o Gaia & Rey e o Monteriolo, endeusados pelo Braga&Daudt, jamais serão os soldados com os quais a Itália vencerá a guerra contra os Montrachet e, apesar de custarem os tubos, fazem lembrar Brancaleone e seu exercito.
O Gaia & Rey , que já no distante 2002 eu criticara , continua sendo um vinho que pode competir apenas com os medianos Chardonnay da Borgonha e sua comparação com o Montrachet é um insulto aos viticultores da denominação francesa.
O Monteriolo? Não pode competir nem com os abaixo da média
Por uma feliz coincidência na sexta feira (5 de março) encontrei um amigo no “La Brasilera” em Alba.
Após as dúvidas de sempre, resolvemos pedir ao proprietário que ele mesmo escolhesse um branco importante
Giorgio, sem dizer uma palavra, desapareceu em um minuto depois voltou com um Cervaro della Sala 1998.
Momento solene, muito carinho para abrir a garrafa, rolha perfeita e. o vinho ?
Bem, o vinho, apresentando uma bela cor de Armagnac, estava pronto para ser usado na receita de um belo filé ao molho “Madeira”.
Nosso amigo, desconsolado, voltou à adega, buscou outra garrafa, repetiu todo o ritual e... tenho certeza que vai ter que comer quilos de filés ao molho “Madeira” até esgotar os dois Cervaro-Armagnac-della Sala.
Para não se tornar um carnívoro compulsivo o desconsolado Giorgio, titular do “La Brasilera”, voltou para a adega e retornou brandindo uma garrafa da Cervaro safra 2003 que finalmente foi bebida , desta vez pelos três .
Qualquer vinho da região de Macon é melhor que o Cervaro della Sala da Antinori, vinícola toscana famosa por produzir, lembram, Cabernello di Montalcino.
O mais interessante desta historia é que a maioria dos “brancaleônicos” Chardonnay italianos são distribuídos, no Brasil, pela Mistral e Vinci que no Rio é representada pela Lilian Seldin ex mulher e sócia do Danio Bragaleone
Falando serio: os Chardonnay da Borgonha possuem uma mineralidade, uma elegância, uma fineza e uma longevidade que os seis italianos, endeusados pelos Bragaleone & Daudt, nem sonham possuir.
Quem tiver a felicidade de provar um Verdicchio Gaiospino, do Lucio Canestrari (10 Euros), verá o quanto este mundo de pontos, bicchieri, AB$, Eno-E-Ventos etc. é uma escola de desonestidade intelectual incrível.
O Gaiospino , apesar de seus 10 Euros, é um vinho muito mais autentico mais equilibrado e melhor até do que todos os endeusados vinhos da caríssima “Armata di Bragaleone Italiana” da esperta dupla ítalo-carioca .
Quando se juntam Braga, Daudt, Seldin, a piada só pode terminar assim: Brancaleone neles!
Bacco